quinta-feira, 30 de dezembro de 2010

adeus ano velho ♪ '

O ultimo dia do ano. Sempre tristes, sempre cheios de momentos em que eu preciso me isolar e ficar de um quase desespero catatônico. Uma vontade de sair correndo sem me mexer (...) Dez pra meia noite ... Eu sumo. Desapareço. Aperto meu celular. Pra quem eu quero ligar? Quem? ... Ninguém entende nada. Então só me afasto e aperto o celular. Não quero nada e nem ninguém. Aperto apenas pra lembrar que existe, ainda, uma lista de querer dentro de mim. Que uma hora volta. Daqui a pouco eu volto e tudo volta. A virada do ano. Estamos todos morrendo! Enquanto todos acabam de comemorar o final do ano, começo a comemorar o final da comemoração de final de ano. Ufa! Acabou! Acabou o Natal e o ano novo! Ufa! Agora que não precisa ser feliz, posso ser feliz em paz. Agora que não precisa ter energia, esbanjo minha falta de limite. É isso. Não sei ser feliz com os finais que chegam. Mas sempre dou um jeito de me divertir quando sou eu que, apesar de tudo, chego até o fim.

terça-feira, 28 de dezembro de 2010

meeeeeeeeedo.

Uma pequena garota estava sozinha em casa com seu cachorro para a proteger. Quando a noite chegou, ela trancou todas as portas e tentou trancar todas as janelas.. Mas uma se recusava a fechar. Ela decidiu deixar a janela destrancada e então, foi para a cama. Seu cachorro tomou seu lugar de costume em baixo da cama. No meio da noite, ela acorda por causa de um som de gotas vindo do banheiro. A menina está muito assustada para ir ver o que era, então ela estendeu sua mão para baixo da cama. Ela sentiu a lambida de seu cachorro e então voltou a dormir. Ela acorda novamente por causa do som das gotas, estende sua mão para baixo da cama, sente a lambida de seu cachorro e volta a dormir. Mais uma vez ela acorda, estende a mão e sente a lambida. Agora curiosa sobre o som das gotas, ela se levanta e lentamente anda até o banheiro, o som dos pingos foi ficando mais alto de acordo que ela ia se aproximando.. Ela chega no banheiro e liga a luz. Ela é recebida por um horrível sinal: Pendurado no chuveiro, estava seu cachorro com a garganta cortada e o sangue caindo na banheira. Alguma coisa no espelho do banheiro chamou sua atenção e ela virou. Escrito no espelho com o sangue de seu cachorro estavam as palavras: “Humanos também sabem lamber..”

december.

É, Dezembro, parece que a nossa relação está chegando ao fim. Não que eu fique triste, me desculpe a franqueza, mas nunca simpatizei muito com você. Sei que a verdade muitas vezes fere, mas prefiro a sinceridade do que a enrolação. Chega de meio termo, meia verdade, meia calça. É ou não é? Você faz a gente sentir calor, aposentar as botas, gastar mais luz com o ar-condicionado. Dezembro, você me faz transpirar. E ficar vermelha, pois o sol fica forte demais quando está sob o seu comando. Sempre falo, mas você nunca ouve. Não fique influenciando Novembro. Deixe ele quieto, coitado do mês. Mas você fica ali, buzinando no ouvido dele, então o pobrezinho se agita, acha que precisa marcar presença, te agradar e começa a pendurar um monte de Papai Noel em portas e sacadas. Isso não se faz, Dezembro, tome jeito no próximo ano, por favor. Você podia ser mais educado. As pessoas vivem correndo quando você chega, já percebeu? Acho que no fundo você gosta. Fica todo exibido quando fazem fila pra você. Fica todo bobo quando vê um congestionamento. Fica todo saliente quando vê rodoviárias e aeroportos lotadinhos. Isso pra mim é falta de autoestima, sabia? Para com isso, Dezembro. No próximo ano, vou fazer uma vaquinha para você fazer terapia, tá legal? Vê se trata logo dessa doença, dessa loucura toda em ver a correria do povo. Fora os gastos, né Dezembro? Você adora ver todo mundo mais pobre. E mais gordo (me explica pra quê tanta comida?) . Quero te contar uma coisa. Vai doer, mas preciso contar: muita gente te detesta, não sou só eu. Já percebeu a grande festa que todo mundo faz quando você vira as costas? Só as crianças são malucas por você (na verdade, elas amam os presentes, isso sim. Na verdade, você é o grande inventor do Papai Noel. Enganar criança não é nada legal, Dezembro.) Vamos parar logo com isso. Sabe qual a época que mais gosto? Seus últimos dias. Adoro ver você indo embora devagarinho. 28, 29, 30 são meus dias preferidos, mas adoro mesmo é o seu último dia de vida. O mundo inteiro comemora a sua ida. Fogos de artifício, música, abraços. Dezembro, antes de ir embora, vamos fazer um brinde. Vem cá, me dá um abraço. Depois pode ir, viu?

Te espero em 2011 (vê se toma jeito no ano que vem, hein?).

segunda-feira, 27 de dezembro de 2010

quebra-cabeças.

Não passam as dores, também não passam as alegrias. Tudo o que nos fez feliz ou infeliz serve pra montar o quebra-cabeça da nossa vida, um quebra-cabeça de cem mil peças. Aquela noite que você não conseguiu parar de chorar, aquele dia que você ficou caminhando sem saber para onde ir, aquele beijo cinematográfico que você recebeu, aquela visita surpresa que ela lhe fez, o parto do seu filho, a bronca do seu pai, a demissão injusta, o acidente que lhe deixou cicatrizes, tudo isso vai, aos pouquinhos, formando quem você é. Não há nenhuma peça que não se encaixe. Todas são aproveitáveis. Como são muitas, você pode esquecer de algumas, e a isso chamamos de "passou". Não passou. Está lá dentro, meio perdida, mas quando você menos esperar, ela será necessária para você completar o jogo e se enxergar por inteiro.

quinta-feira, 23 de dezembro de 2010

Desculpa, digo, mas se eu não tocar você agora vou perder toda a naturalidade, não conseguirei dizer mais nada, não tenho culpa, estou apenas me sentindo sem controle, não me entenda mal, não me entenda bem, é só esta vontade quase simples de estender o braço para tocar você, faz tempo demais que estamos aqui parados conversando nesta janela, já dissemos tudo que pode ser dito entre duas pessoas que estão tentando se conhecer, tenho a sensação impressão ilusão de que nos compreendemos, agora só preciso estender o braço e, com a ponta dos meus dedos, tocar você, natural que seja assim: o toque, depois da compreensão que conseguimos, e agora. Não diz nada, você não diz nada. Apenas olha para mim, sorri. Quanto tempo dura?

beeshop

Às vezes, você tem que esquecer o que você quer, para começar a entender o que você merece. Durante sua vida você irá encontrar várias pessoas e achar que ela é seu mundo, seu ponto de paz, e várias vezes você ira se decepcionar. Eu procuro acreditar que tudo isso que eu quero vai acontecer. Acabo me sufocando com tanta gente falsa, hipocrita e sem carater ao meu redor. Acho engraçado que nos filmes eles não param de ir atrás delas e lutar, já na vida real eles desistem no primeiro “não” que você diz. Quem me dera que ao menos uma vez, o mais simples fosse visto como importante. Existe alguém em mim que quer falar tudo que acha que sente. Quer dizer que faz qualquer coisa pra te ter ao lado todo dia à noite. Esse alguém te quer. Existe alguém que duvida. Duvida do que tu sentes e, justamente por isso, não diz o que sente. Ele não diz, e te faz achar que ele não sente nada por ti. Esse alguém te gosta muito. Existe também alguém que ferve. Alguém que ignora todo o sentimento, pois espera a cada esquina por algo melhor, algo que nunca aparece e que o faz permanecer nessa incessante busca. Esse alguém não vive sem ti. Tudo é dor. E toda dor vem do desejo de não sentir dor.

ai meus pais

Se eu durmo demais meus pais reclamam, se eu não durmo, meus pais reclamam, se eu fico na internet demais, meus pais reclamam, se eu como demais, meus pais reclamam, se eu não como nada, meus pais reclamam, se eu fico trancado no quarto, eu devo de estar passando mal, se eu saio muito, meus pais reclamam. Se eu fico com meus amigos meus pais falam na minha cabeça, se eu não fico acham que eu sou gay. Se eu me visto bem eu tô de rolo, se eu não visto eles falam que eu to parecendo um mulambo e me mandam trocar de roupa. Porra, depois o adolescente indeciso e complicado sou eu.

por acaso

Eles se amam, todo mundo sabe mas ninguém acredita. Não conseguem ficar juntos. Simples. Complexo. Quase impossivel. Ele continua vivendo sua vidinha idealizada e ela continua idealizando sua vidinha. Alguns dizem que isso jamais daria certo. Outros dizem que foram feitos um para o outro. Eles preferem não dizer nada. Preferem meias palavras e milhares de coisas não ditas. Ela quer atitudes, ele quer ela. Todas as noites ela pensa nele, e todas as manhãs ele pensa nela. E assim vão vivendo até quando a vontade de estar com o outro for maior do que os outros. Enquanto o mundo vive lá fora, dentro de cada um tem um pedaço do outro. E mesmo sorrindo por ai, cada um sabe a falta que o outro faz. Nunca mais se viram, nunca mais se tocaram e nunca mais serão os mesmos. É fácil porque os dias passam rápidos demais, é dificil porque o sentimento fica, vai ficando e permanece dentro deles. E todos os dias eles se perguntam o que fazer. E imaginam os abraços, as noites com dores nas costas esquecidas pelo primeiro sorriso do outro. E que no momento certo se reencontrem e que nada, nada seja por acaso.

terça-feira, 21 de dezembro de 2010

é seu.

Eu quis tanto ser a tua paz, quis tanto que você fosse o meu encontro. Quis tanto dar, tanto receber. Quis precisar, sem exigências. E sem solicitações, aceitar o que me era dado. Sem ir além, compreende? Não queria pedir mais do que você tinha, assim como eu não daria mais do que dispunha, por limitação humana. Mas o que tinha, era seu.

ele pode estar aqui ;)

O amor aparece quando menos se espera e de onde menos se imagina. Você passa uma festa inteira hipnotizado por alguém que nem lhe enxerga, e mal repara em outro alguém que só tem olhos pra você. Ou então fica arrasado porque não foi pra praia no final de semana, ou ao cinema, ao teatro com alguém ou só. Toda a sua turma está lá, azarando-se uns aos outros. Sentindo-se um ET perdido na cidade grande, você busca refúgio numa locadora de vídeo, sem prever que ali mesmo, na locadora, irá encontrar a pessoa que dará sentido a sua vida. O amor é que nem tesourinha de unhas, nunca está onde a gente pensa. O jeito é direcionar o radar para norte, sul, leste e oeste. Seu amor pode estar no corredor de um supermercado, pode estar impaciente na fila de um banco, pode estar pechinchando numa livraria, pode estar cantarolando sozinho dentro de um carro. Pode estar aqui mesmo, no computador, dando o maior mole. O amor está em todos os lugares, você que não procura direito.

pose.

Existe pelo menos uma música sertaneja ou um "pagodinho" que te deixe com dor de cotovelo; Você sabe a letra de pelo menos uma das músicas de "Sandy e Júnior", nem que seja para cantar com a música de fundo; - Quando você está solteiro e vê um casal aos beijos e abraços no meio da rua você sente a maior inveja; Você já se pegou escrevendo o seu nome e o da pessoa pelo qual você está apaixonada no espelho embassado do banheiro, ou num pedacinho de papel; Você já se viu cantando o mantra "Toca telefone toca" em alguma das sextas feiras de sua vida, ou qualquer outro dia que seja; Você já enfiou os pés pelas mãos alguma vez na vida e se atirou de cabeça numa"relação" sem nem perceber que você mal conhecia a outra pessoa e que com este seu jeito de agir ela te acharia um tremendo louco ; - Você, assim como nos contos de fada, sonha em escutar um dia o tal "E foram felizes para sempre" e adora quando passa na TV aqueles comerciais de margarina, alá Doriana, no maior estilo "super família feliz" durante o intervalo das novelas... Bem ,preciso continuar? Ok, acho que não... Mas, assim como você, eu também me nego a confessar qualquer uma das situações descritas acima, até porque,nós, mulheres, não somos mulheres de ficar sonhando acordada, ou paradas esperando a vida passar. E, todos nós, morremos mas não perdemos a pose, certo?! :D

terça-feira, 14 de dezembro de 2010

não é facil

E tudo que eu andava fazendo e sendo eu não queria que ele visse nem soubesse, mas depois de pensar isso me deu um desgosto porque fui percebendo, por dentro da chuva, que talvez eu não quisesse que ele soubesse que eu era eu, e eu era. Eu era a pessoa que me escondia atrás de sentimentos, que me mostrava forte em situações que não dava pra ser, que era o que eu não era. E eu tinha consciência disso. E ela era pesada por eu me esconder entre máscaras. É fácil fingir. é fácil fingir que tudo estaria bem sem ele, que nunca houve emoções, que não desejas tocá-lo, que o aceitas assim latejando amigo belo remoto, completamente independente de tua vontade e de todos esses teus informulados sentimentos. É e não é fácil, se fazer de boa o tempo todo, quando a sua vontade era ser "má" com ele, e só com ele. A gente se entrega nas menores coisas. Eu me entreguei no sorriso dele, quando ele feito aqueles caras de hollywood tirou os óculos escuros, e fez cara de paisagem.

terceiro :/

Me lembro do primeiro dia de aula, cada um na sua mesa, todos em silêncio, se olhavam e exitavam em falar algo, a maioria não se conhecia; tantas caras novas, eu me sentia perdida; então eu olhei em volta e pensei ‘quem será que vai me empresta um borracha quando eu esquecer a minha? Quem será o mais engraçado da sala? E o mais inteligente?’ meus pensamentos foram interrompidos pelo professor que disse ‘Vocês estão tão quietos hoje, mas eu sei que daqui uma semana essa sala vai vira uma festa, quando vocês se conheçerem esse silencio vai sumir’. Ele estava certo! Em poucos dias todos ja se conheciam, cada um ja tinha seu determinado grupo de amigos, eu ja sabia quem ia me empresta a borracha, quem era o mais inteligente e o mais engraçado, a cada dia nós se conheciamos um pouco mais, ficamos cada vez mais proximos, o convivio de segunda a sexta durante quase treze anos, nos tornou intimos, sabemos dos defeito e das qualidades um do outro, nossos amigos sabem coisas que muitos familiares nossos não sabem. Dividimos tarefas, estações, borrachas, angustias, canetas e alegrias e assim se tornamos mais que colegas de classe, mais que amigos, nos tornamos irmãos, irmãos por opção. Hoje é dificil aceitar que a cada segundo o nosso tempo juntos se esgota, sentimos que ano que vem não terá muita graça sem eles do nosso lado, sem aquelas brincadeiras bobas, aqueles sorrisos, abraços, historias, perfumes e vozes; Não há mais tempo, por mais que tentemos voltar e viver tudo de volta, não vamos conseguir e é nesse momento que passa um filme na nossa cabeça, lembramos de cada momento especial que passamos juntos, com pessoas que eram antes desconhecidas e hoje são parte da nossa vida e agora novas perguntas são formadas ‘como será daqui pra frente? E se eu precisar de uma borracha quem vai me empresta? Será que alguem vai preenche o lugar deles? Será que o meu lugar será preenchido? E se o silencio voltar? O que fazer quando eu acordar ano que vem e não ter que ir pro colegio e ver eles? Oque fazer quando eu não puder dizer ‘até amanhã’? E quando olhar as fotos não for suficiente pra matar a saudades? E quando a rotina for quebrada? Será que um dia eu vou voltar a ver todos reunidos? Hoje, não temos respostas pra essas perguntas e isso assusta, o medo de ‘perder o contato’ assusta, a vida sem eles assusta, mas como diria a canção ‘Só o amor constrói pontes indestrutíveis’, há uma ponte na relação em que temos com cada um de nós e podemos atravessa-lá a qualquer momento pra estarmos juntos novamente! 3º27 cara, foi inesquecível esse tempo com voceis!

segunda-feira, 13 de dezembro de 2010

é que as vezes não da pra esquecer.

Um dia me perguntaram se eu tinha algum vicio, dei um sorriso sarcástico,e perguntei: querer loucamente, intensamente e desesperadamente alguém pode ser considerado um vicio? se a resposta for sim, eu digo a você que o meu vicio é evidente. O sentimento de chegar quase ao seu limite é fascinante. É como não poder fugir daquilo e torcer pra poder dar certo. Não precisa ser exagerado, e não é. Coisas exageradas resultam em resultados exagerados. E nada do que é extremo é bom, traz problemas sem soluções fáceis. Não que eu não gst de tudo que é ou pareça fácil, mas coisas difíceis as vezes chegam a desanimar. E desanimar não seria certo. Eu me alimento do passado, porque no presente você não está e no futuro.. bom isso não temos certeza! Espero te ver por aqui, rondando, me rodeando, andando junto cmg do lado esquerdo do meu peito, como já esteve antes. Tá, tá. não vou negar, você ainda está por aqui. Não falo sobre o que eu sinto por você, mas sim o que eu não sinto por ninguém além de você. Tem pessoas que a gente não esquece. '

terça-feira, 30 de novembro de 2010

bom.


E se realmente gostarem? Se o toque do outro de repente for bom? Bom, a palavra é essa. Se o outro for bom para você. Se te der vontade de viver. Se o cheiro do suor do outro também for bom. Se todos os cheiros do corpo do outro forem bons. O pé, no fim do dia. A boca, de manhã cedo. Bons, normais, comuns. Coisa de gente. Ninguém mais saberia deles se não enfiasse o nariz lá dentro, a língua lá dentro, bem dentro, no fundo das carnes, no meio dos cheiros. E se tudo isso que você acha nojento for exatamente o que chamam de amor? Quando você chega no mais íntimo. No tão íntimo, mas tão íntimo que de repente a palavra nojo não tem mais sentido. Você também tem cheiros. As pessoas têm cheiros, é natural.

terça-feira, 16 de novembro de 2010

simples assim.

Quando olhei para o celular para a trigésima vez naquele dia, senti vergonha. Eram três horas da tarde e eu parecia uma dessas idiotas que ficam olhando o celular de cinco em cinco segundos. Eu parecia uma dessas idiotas que ficam nervosas cada vez que o telefone toca achando que poderia ser. Mas nunca é. E eu senti uma puta vergonha disso. Não é assim. Não sou assim. Não era assim. Olho o celular e eu entendo. Não é amor, não é paixonite aguda, não é qualquer-coisa-idiota à primeira vista. É só esse vazio gigantesco que bate de vez em quando e faz o nível de carência aumentar significativamente. É essa falta que dá uma pontada na barriga e faz eu ficar pensando em alguém antes de dormir. Não é amor, não se sinta assim tão honrado e orgulhoso. Não se ache tanto. Porque não é amor e nem nada do tipo. É só vazio. É só falta. É só carência. É só essa manina boba e chata de ficar imaginando como poderia ter sido uma história de amor. É só essa mania de hollywoodizar tudo. De ver conto de fadas em tudo. É só essa mania de esperar algum era um vez alguma coisa. Sem essa de achar que eu te amo. É só a saudade de ter alguém que dá de vez em quando. Mas a parte de mim que olha o celular pela trigésima quinta vez, acha que ele podia ligar. Que ele podia aproveitar o momento. Aproveitar a carência. Aproveitar o vazio. Ele podia tentar preencher essas lacunas que tão aqui. A oportunidade tá aí, não tá vendo? Olha que chance de ouro. Meu coração vaziozinho pra você, é só você querer entrar. É só ligar. É só fazer de tudo para me conquistar, mas sem parecer apaixonado demais que é pra eu não enjoar. Pra eu não achar que tá fácil demais. Ele podia. Aí o dia acaba, as horas passam e eu já olhei o celular mais do que meu orgulho permite. Uma hora ele vai ligar. É sempre assim. Uma hora. Quando eu desencanar, quando eu parar de olhar o celular de cinco em cinco segundos. Ele vai ligar. E vai querer alguma coisa. É sempre assim. Quando eu esquecer, ele vai ligar. Resta saber se o celular já não tocou. Se não era outro alguém. E, o que mais ferra tudo, se eu já não atendi. É sempre assim. Simples assim….

nao sai da minha vida ♪ '

Ele tem o sorriso mais lindo que eu já vi na vida. E só. Todo o resto do conjunto é simples e não faz exatamente meu tipo. Não que eu tenha exatamente um tipo. Ele não tem nada demais e acho que é isso o que mais me encantou, porque ele parecia realmente alcançável e eu entendi porque alguém como ele reparou logo em mim. Se ele fosse perfeito e lindo e todas aquelas coisas que podem fazer parte do meu tipo, talvez eu não entendesse. Mas eu entendi ele e seu lindo sorriso mais lindo do que todo o universo. Alguém como ele pode reparar em alguém como eu. Pessoas comuns podem reparar umas nas outras e isso é normal. E se a gente desfilar por aí, ninguém vai ficar perguntando: o que ele viu nela? Ou o que eu vi nele? Mas eu não hesitaria em responder que vi um sorriso. O mais lindo. Eu não tive aquele papo cabeça com ele e nem sei metade das coisas que eu queria saber sobre ele. Ele também não sabe nada do que precisava saber sobre mim para que pudesse se lembrar de alguma coisa. Mas eu tenho essa sensação absurda de que eu vou lembrar sempre daqueles momentos rápidos que passamos juntos e que vou sentir falta disso durante um tempão. Eu tenho essa sensação de que se ele aparecesse e falasse comigo de repente, talvez todo o mundo voltasse a fazer sentido e até o sol voltasse a aparecer em São Paulo. Eu não tenho certeza do que eu senti, do que eu falei, de como eu pareci uma boba olhando para o sorriso dele. Mas eu tenho certeza de como tudo pareceu fazer um sentido do tamanho do mundo quando ele me olhou e sorriu e passou a mão no meu rosto. Deus, tem como existir uma lembrança mais perfeita para eu me agarrar nos dias nublados e parar de pensar em não existir? Mas ele nem era o meu tipo. E eu nem penso tanto assim no que aconteceu. E esse sorriso em que eu penso antes de dormir nem é dele. E eu nem lembro o nome dele. E eu nem fico esperando que ele ligue. E não foi grande coisa. E não foi nada demais. E nem foi nada. E o sotaque que eu queria ouvir nem é o dele. E nem dá para se apaixonar por um momento rápido. E ficar repetindo tudo isso para mim é tão chato. E eu não quero lembrar. E eu fico me agarrando nos detalhes para não esquecer. E tudo e nada e falta e sentir saudade de algo que eu nunca tive. E...e ele tem o sorriso mais lindo que eu já vi na vida.

superar.

Perceber que você cresceu deve ser uma das coisas mais difíceis da vida. Se dar conta de que você não acredita mais em fadas ou duendes ou até no papai noel. Se dar conta de que suas barbies ou foram doadas ou estão guardadas em caixas que você nunca abre. Se dar conta que seus diários e suas agendas foram aposentadas e você até se esquece que um dia eles existiram mesmo. Acho que o que dói mais, muito mais do que abandonar as brincadeiras e entrar de cabeça no mundo dos saltos altos e das maquiagens, é que fica muito mais fácil se machucar de verdade, que nem gente grande. Se machucar de ter que chorar um dia inteiro e ainda assim não ser suficiente. Ter que gritar horrores e não poder pedir pra mãe pra ela passar remédio e fazer parar de doer. Quando a gente cresce, o band-aid deixa de fazer efeito e as dores continuam a doer até cicatrizar. Acho que o que dói em crescer é se dar conta de que os amigos da infância nem sempre são os amigos da adolescência e muito menos os amigos da velhice. Se dar conta de que quando uma pessoa diz "eu vou estar sempre aqui" ela não quer dizer exatamente isso. Que quando alguém diz "eu te amo", pode ser só mais um "bom dia". Que se um garoto fizer você se apaixonar loucamente por ele, não quer dizer necessariamente que ele está loucamente apaixonado por você. E que não importa o quão intenso for, ou qual seja o tamanho da ferida, passa. Mas talvez seja isso o que mais dói: saber que as coisas passam, quando você já se cansou de coisas passageiras e precisa desesperamente de sentimentos e promessas permanentes, de árovores com raízes fincadas ao chão, de "eu vou estar aqui" e que estejam. No fundo crescer é apenas "se dar conta". De que contos de fadas não existem e que quase sempre você vai escolher o cara errado ao invés do príncipe encantado. De que às vezes você vai amar muito algumas pessoas, de um jeito que você nem imaginava quando era criança, e essas pessoas vão te machucar muito, de um jeito que você também não imaginou. Porque apesar do quanto alguém possa significar para você, isso não quer dizer necessariamente que você significa alguma coisa para essa pessoa. E você tem que superar isso. Tudo isso.

sábado, 13 de novembro de 2010

e não solte..

Minhas palavras sao tao vazias quanto minha alma. Eu não queria ter o imã atrativo. Eu às vezes consigo despertar muita coisa em muito pouco tempo. Eu de vez em quando peço tempo pra mim mesma, há algo de errado! O sofrimento faz parte de toda história feliz, legal, ruim, miserável. Assim como o sorriso, mesmo que falso. Eu não deveria, mas quero que tudo isso de atração não seja mais ator da minha história em quandrinhos. Eu hoje me vejo cansada de envolver todo mundo e não me envolver com ninguem! Talvez é culpa desse coração vagabundo e da carne fraca, talvez eu não queira muito comprometimento. A verdade é que a pessoa ideal pode estar na minha frente e eu to aqui, assim, procurando por ela! Não faz sentido que todo esse tempo ainda não chegou ao final. Às vezes eu tenha que amadurecer muitas ideias ainda, talvez o meu semblante não passe confiança nem fidelidade, ou outrora eu não sei me expressar. Eu só queria alguém pra me preocupar vez e outra, pra dizer ter amor verdadeiro, pra gostar sem temer, pra salvar ela de um tufão se for preciso, pra não ter olhos pra outros que passam por mim, pra segurar minha mão enquanto atravessamos minha cidade. Se é que voce me entende! Eu queria alguém pra me dar à mão e junto um coração frágil que eu pudesse fortalecê-lo '

excesso de liberdade.

Estou tão aliviada, é tão diferente não estar presa ao seu mundo tão limitado, quando acordei me senti meio perdida sem saber o que fazer, estava tão cega no seu mundo que deixei que meu cérebro se acostumasse com aquela rotina que você programou pra mim. Hoje fique tonta de tanta liberdade, senti apenas falta de seus beijos que foram tornando-se quase que obrigatórios, você fazia tudo para não me perder, tirou toda minha liberdade, mas fez errado, eu precisava apenas de teu amor e ainda estaria aí, mas essa doença fez com que eu despertasse, "eu não preciso de um general". Foi duro te dizer que não queria mais, ver todas aquelas lágrimas rolando, aquela doce voz dizendo que me ama que não ia desistir de mim, você fez meu coração partir em pedaços. Você nunca vai me entender, mas eu preciso viver.

sexta-feira, 12 de novembro de 2010

tudo que vai, volta.

Se um dia você acordar e eu não estiver mais aqui, vai sentir remorso? vai se arrepender de cada risada que dava, enquanto eu por você chorava? Vai repensar em cada palavra falsa que me dizia, enquanto eu me iludia? Por cada verso, cada poesia, que se transformaram em coisas vazias? Vai rever as madrugas que tranqüilo você dormia, enquanto eu por você sofria? Vai achar pecado com meus sentimentos ter brincado? Será que nem mesmo assim, você vai refletir sobre os erros que cometeu, os fatos, que meu coração dilaceraram? Mas um dia você vai perceber que tudo que se faz nessa vida volta pra você.

quinta-feira, 11 de novembro de 2010

um alguem pra chamar de seu.

Eu vou tentar mais uma vez, eu vou atrás, não vou ter medo. Eu vou bater, eu vou entrar, eu vou chegar mais cedo mais uma vez. Quem é você que não me vê, cadê você que eu não vejo? Cadê você pra me dizer que tudo isso vai passar? Eu vou entrar na tua casa, eu vou entrar na tua vida. Eu vou sentar e esperar tu me mandar embora mais uma vez. Quem é você que me esqueceu, cadê você que eu não esqueço? quem é você que me prendeu, e depois me deixou pra trás? Que não vai voltar... Por mais que eu cante, escreva, toque, não vai dar, você não vai mudar. E Sabe que sozinha eu não sei aonde ir! É claro que tu vai dizer que nunca soube o que eu queria, que fica fácil pra você se agora já não vale o que passou. Os teus amigos, meus amigos, não conseguem dizer nada. Os meus amigos, teus amigos, dizem que não sabem mais quem eu sou. E eu não vou ficar te procurando, aonde eu posso encontrar. Alguém pra me mudar, que diga que sozinho eu não preciso mais seguir.

oque nao for, deixa passar.

Existe momentos na vida que é necessário excluir pessoas, apagar lembranças, jogar fora o que machuca abandonar o que nos faz mal, se libertar de coisas que nos prendem olhar para frente e enxergar a imensidão de caminhos ao nosso redor, ao invés de insistir sempre no mesmo erro e na mesma dor. Aprenda a gostar de você, a cuidar de você, e principalmente a gostar de quem também gosta de você! Não desista jamais e saiba valorizar quem te ama, esses sim merecem o seu respeito. Quanto ao resto, bom. Ninguém nunca precisou de restos para ser feliz. Cuide apenas daquilo que for verdadeiro. O que não for, deixe passar.

quarta-feira, 10 de novembro de 2010

quem nunca?

Quem nunca ficou fazendo planos deitado na cama antes de dormir? Quem nunca leu e releu um histórico de MSN e lembrou como se fosse à hora? Quem nunca viu uma foto e pensou como seria se você tivesse lá? Quem nunca quis voltar no tempo pra corrigir o que ficou como medo de fazer? Quem nunca precisou ouvir um elogio pra se sentir bem? Quem nunca falou alguma coisa e se arrependeu depois? Quem nunca não falou alguma coisa e se arrependeu depois? Quem nunca teve um sonho perfeito e ficou puto de ter acordado? Quem nunca ouviu uma música e lembrou de alguém? Quem nunca olhou pra o celular achando que era ele e era sua mãe? Quem nunca ficou bolada por um motivo ridículo e prometeu que não ia mais gostar de quem te fez sofrer, mas foi em vão? Quem nunca se iludiu? Quem nunca teve vontade de sumir e só voltar quando tudo tivesse bem? Quem nunca viu um filme de romance e quis ser feliz para sempre? Quem nunca quiz ser feliz pra todo sempre?

quinta-feira, 4 de novembro de 2010

open your eyes.


A vida pode ser comparada à uma roda gigante.Ela é enorme e só funciona se der voltas.Às vezes para, para entrar ou sair alguém, ai torna a girar.Quando se está nela terá horas que voce vai estar em cima outras que estará em baixo e às vezes aquela pessoa estará em algum lugar que você nao pode ver ou que ela nao poderá te levar, mas ai a roda gigante vai girar um pouco mais e voces vao estar lado a lado.Na roda gigante tem pessoas com medo, pessoas que acham aquilo a coisa mais tosca do mundo, pessoas que adoram, pessoas que só estao la para provocar as que estão com medo.Na roda gigante tem varias pessoas, algumas vão entrar e sair sem você notar a presença, outrar vao entrar te marcar e sair deixando você la e outras que entrarâo e sairão junto com você.A única diferença é que na roda gigante você pode entrar e sair quantas vezes quiser mas na vida, você deve aproveitar ao maximo a sua única passagem.

quarta-feira, 3 de novembro de 2010

deixa entrar

A gente finge que arruma o guarda-roupa, arruma o quarto, arruma a bagunça. Tira aquele tanto de coisa que não serve, porque ocupar espaço com coisas velhas não dá. As coisas novas querem entrar. Tanta coisa bonita nas lojas por aí... Mas a gente nunca tira tudo. Sempre as esconde aqui, esconde ali, finge para si mesmo que ainda serve. A gente sabe. Que tá curta, pequeno, apertado. É que a gente queria tanto. Tanto. Acredito que arrumar a bagunça da vida é como arrumar a bagunça do quarto. Tirar tudo, rever roupas e sapatos, experimentar e ver o que ainda serve, jogar fora algumas coisas, outras separar para doação. Isso pode servir melhor para outra pessoa. Hora de deixar ir. Alguém precisa mais do que você. Se livrar. Deixar pra trás. Algumas coisas não servem mais. Você sabe. Chega. Porque guardar roupa velha dentro da gaveta é como ocupar o coração com alguém que não lhe serve. Perca de espaço, tempo, paciência e sentimento. Tem tanta gente interessante por aí querendo entrar. Deixa. Deixa entrar: na vida, no coração, na cabeça.

segunda-feira, 1 de novembro de 2010

Se eu faço rir, queria me importar mais do que me importo, o que não é grande coisa. Tenha então de mim uma imagem que eu criei e outros vendem, o que também não é grande coisa. Mas se eu tivesse a capacidade de expressar em palavras toda essa confusão, não sei de que maneira usaria isso. Nem com que imagem eu ficaria. E acredito que, também não seria grande coisa. Eu, com certa relutância, tento descobrir... mas enfim, ninguém direcionaria sua atenção à mim quando eu finalmente encontrasse uma resposta real, então foda-se o que vão achar do que eu acho que não sou.

quando a nostalgia bate.

Sinto saudades de acordar tarde e ir direto pra TV assistir Sítio do pica-pau amarelo com o meu pai,de não ter que quebrar a cabeça com matriz de primeira,segunda e terceira ordem,de saber de có e salteado todas as aberturas dos desenhos animados e de ficar escolhendo pela cor o Power rangers que eu era,saudade de merendar bananada a tarde e de pular corda na escola,de achar as músicas da Xuxa tão empolgantes quanto eu acho as do Los Hermanos hoje,sinto falta de ter uma lancheira com aquelas garrafinhas que a tampa virava um copo,e não importava o quanto você apertasse,ela sempre derramava nas tuas coisas,saudade de achar o carrossel o brinquedo mais emocionante do parque de diversões e de dormir com um urso do meu lado.Queria voltar,queria re-usar o que não cabe mais em mim,fazer das meias,roupas de barbie e dos bonecos do meu irmão,um par romântico pra elas.

sete sorrisos.

Ele: Eu simplesmente observo cada detalhe seu de ser.
Ela: Como assim?
Ele: Eu te conheço tão bem, quem sabe até mais que você mesma.
Ela: Você não me conhece não!
Ele: Sabia que você tem 7 diferentes formas de expressar seu humor?
Ela: Tenho? Como?
Ele: Seu sorriso.
Ela: Como você sabe de meu humor pelo sorriso?
Ele: Você tem 7 sorrisos diferentes...
Ela: Então diz, quero só ver. (risada)
Ele: Primeiro sorriso, Quando você está chateada com alguma coisa, você não sorrir por inteiro, tem aquele sorriso sonso, amarelo, sem cor. Segundo sorriso, quando você está com ciúmes de mim, você solta aquela risada sem cabimento, sinto vontade de sair sem falar nada, por tamanha irônia de seu sorriso, mas eu te acho super linda escondendo ciúmes de mim. Terceiro sorriso, você está brava com alguém, e acaba sorrindo como se estivesse com aquelas risadas de desenhos animados, tipo, maléfica, acho muito linda você com raivinha. Quarto sorriso, você chorando e sorrindo, é um sorriso limpo, como se você mudasse rapidamente de um estado ruim para um estado calmo e bom, eu fico feliz quando consigo te fazer sorrir quando está chorando, muito feliz mesmo...
Ela: Para...
Ele: Não quer que eu termine?
Ela: Não, eu quero só que você me abrace, e diga que será sempre assim, observador só de mim.
Ele: Com uma condição.
Ela: O que você quiser...
Ele: Aceitar namorar comigo... (pega uma caixinha do bolso)
Ela: (silêncio)
Ele: Aceita? (abre a caixinha, dentro um papel escrito: Tô sem dinheiro, mas logo compro um anel lindo pra colocar em seu dedo amor.)
Ela: (sorri e o beija)
Ele: (fala entre o beijo) Acabei de descobrir outro sorriso teu.

quarta-feira, 27 de outubro de 2010

meu melhor amigo.

Semana passada liguei pro meu melhor amigo e convidei para um cinema. A gente não se falava desde o ano novo, quando tudo deu errado pro nosso lado. De tempos em tempos sumimos, falamos umas coisas horríveis de quem se conhece demais. Ele topou desde que fosse daqui pra frente, preguiça de conversar da briga e tal. E fomos. Cheguei antes, comprei. Ele chegou depois, comprou água. Porque eu comprei os ingressos, ele comprou também uns doces e disse que pagaria o estacionamento. Porque ele pagaria o estacionamento, eu disse que daria a carona da volta. E com meu coração tão calmo eu voltei a sentir o soninho de sofá de casa com manta que sinto ao lado dele. A gente não se beija nem nada, mas quando vai ver pegou na mão um do outro de tanto que se gosta e se cuida e se sabe. Já tivemos nossos tempos de transar e passar nervoso e aquela coisa toda de quem ama prematuramente. Mas evoluímos para esse amor que nem sei explicar. Ele me conta das meninas, eu conto dos caras. Eu acho engraçado quando ele fala “ah, enjoei, ela era meio sem assunto” e olha pra mim com saudade. Ele também ri quando eu digo “ah, ele não entendeu nada” e olho pra ele sabendo que ele também não entende, mas pelo menos não vai embora. Ou vai mas sempre volta. Não temos ciúmes e nem posse porque somos pra sempre. Ainda que ele case, more na Bósnia, são quase dez anos. Somos pra sempre. Ele conta do filme que tá fazendo, eu do livro. Os mesmos há mil anos. Contar é sem pressa de acabar. Se ele me corta é como se a frase que eu fosse falar fosse mesmo dele. É um exibicionismo orgânico, como se meu silêncio pudesse continuar me vendendo como uma boa pessoa. São dez anos. É isso. Ele me viu de cabelo amarelo enrolado. Eu lembro dele gordinho e mais baixo. Eu já fui bem bonita numa festa só porque ele queria me fazer de namorada peituda pra provocar a ex. Minha maior tristeza é que todo novo amor que eu arrumo vem sempre com algum velho amor tão longo e bonito. E eu sofro porque com pouco tempo não consigo ser melhor que o muito tempo. E de sofrer assim e enlouquecer assim, nunca dou tempo de ser muito para esses amores porque estrago antes. Mas meu melhor amigo é meu único amor. O único que consegui. Porque ele sempre volta. E meu coração fica calmo. E ele vai comigo na pizzaria e todos meus amigos novos morrem de rir porque ele é naturalmente engraçado e gente boa e sabe todos os assuntos do mundo. E todo mundo adora meu melhor amigo. E eu amo ele. E sempre acabamos suspirando aliviados "alguém é bobo como eu, alguém tem esse humor" e mais uma vez rimos da piada que inventamos, do pai que chega pro filho e fala: sua mãe não é sua mãe, eu transei com outra". E esse é meu presente dessa fase tão terrível de gente indo embora. Quem tem que ficar, fica!

Tati B. é O cara s2 '

terça-feira, 26 de outubro de 2010

fikdik.



pedido

"Que eu não perca até a admiração que sinto por você. Porque se eu perder, não sobra mais nada."

pedido

"Que Deus te dê muita saúde e força e paz para que você siga sua vida sem mim. E que me dê coragem para seguir a minha sem você."

pedido

"Que você não seja minha quarta-feira de cinzas. Não quero ter ressaca de um carnaval que foi super divertido, mas que me deixou com uma terrível do der cabeça."

que me desculpem..

Quando a gente cresce com uma pessoa, é criada com ela, cria laços tão afetivos e sinceros com ela, a gente tem dificuldade em deixá-la partir. É difícil entender que amizades de anos atrás não são mais as mesmas, que as pessoas mudam, que os sentimentos também. É difícil não saber mais nada, não conseguir completar uma conversa, não saber exatamente a maneira certa de se aproximar. É difícil estar lado a lado e ao mesmo tempo tão distante, tão longe. Estar perto, mas não estar dentro.
Quando a gente costumava se importar muito, fica difícil deixar de se importar tanto. Deixar de ligar tanto. Deixar para lá. A vida é simples. As pessoas vêm, aparecem, ficam, vão, e poucas permanecem. A gente sabe disso o tempo todo. Vem convivendo com isso o tempo todo. Mas é complicado. A gente é bem complicado. Por que caralho a gente não consegue entender que as coisas são finitas? Até amor é. Não vem com essa de que amor é eterno. Que dura a vida inteira. Alguns até duram. Amor de pai, de irmão, grandes amores que fazem 50 anos de casados. Mas alguns acabam. A gente não ama hoje todas as pessoas que amou há três anos atrás. O que não quer dizer que a gente não amou. A vida seria tão mais fácil se a gente aceitasse que nem todas as amizades são para sempre, nem todos os namoros de colegial viram casamento, nem todas as pessoas permanecem. Se chuva não alagasse, sol não desse insolação, neve não estragasse o dia. Se Mc Donalds não engordasse, todo dia fosse feriado, se toda semana se comparasse aquela que a gente queria de volta, os amigos do Orkut fossem amigos de verdade (...) Seria tão mais fácil se a gente pudesse não quebrar o coração. Os outros que me desculpem, mas não estou aqui vivendo uma vida só. Tenho 7 vidas. Algumas já passaram, outras ainda virão. Nas que passaram, amei algumas pessoas, outras não.

sábado, 23 de outubro de 2010

querido amor,

há um tempo venho tentando preencher os vazios que você deixou. Venho tentando curar as feridas que você abriu. Superar os traumas que você criou. Há tempos, eu acreditava que você era a melhor coisa desse mundo. E que se eu te tivesse, e sentisse tudo seria bom e belo e feliz. Nunca imaginei que você pudesse machucar tanto. Meus momentos de felicidades com você foram curtos e escassos, enquanto deixou todos aqueles nossos momentos tristes e decepcionantes. E haja decepção. Você, com certeza, foi a maior delas. Agora eu tô aqui, te escrevendo uma carta de um lugar distante. Porque há tempos que não te vejo, nem quero te ver. É triste isso. Um casal que tinha tudo para dar certo acabando assim, com uma carta vez ou outra de algum lugar do mundo, deixando uma saudade bem de leve. Eu podia ter sido muito feliz com você. Mas você me ensionou antes como era ser triste com você. E depois a gente desistiu da gente.
Com carinho, aquela que não quer te ver tão cedo. E que hoje é feliz. Sem você.


"Não adianta esperar atitude de quem não tem."

agradeço!

Agradeço a preocupação, o medo de que eu quebre a cara, o pé atrás. Agradeço essa falta do que fazer e essa necessidade imensa que tem de cuidar da minha vida. Agradeço porque não atendeu o telefone na última semana quando minha crise existencial chegou ao ápice. Agradeço que você não soube e não sabe nada do que se passou em minha cabeça e vá lá o coração. Agradeço que tudo o que senti, senti sozinha. E para não ser injusta, com meia dúzia de amigos de verdade que nunca me fizeram promessa alguma, mas que sempre estão aqui mesmo sem prometer. Agradeço que você não tentou me animar, mas ao invés disso, tive essa dúzia de pessoas que ganharam espaço na minha vida que me fizeram dar altas gargalhadas. Agradeço principalmente o seu não-esforço, pois foi ele exatamente que me fez perceber que certas pessoas não valhem tão a pena. E que outras que eu achei que não valhiam, talvez o façam um pouquinho. Agradeço bastante porque você me fez abrir os olhos não só para você, a outra lá e essa nossa situação ridícula; mas principalmente porque me fez abrir os olhos para um modo de ser meu que já estava irritando. Além disso, me fez perceber que era hora de parar de reclamar de você, do resto do mundo e ir viver. Agradeço que agora todos os meus planos serão realizados e você não vai estar aqui para ver. Agradeço, principalmente, os segundos que você vai me dar para ouvir meu nome qualquer dia desses, quando tudo der certo. Mas antes de mais nada, meu bem, eu agradeço pelo seu esquecimento. Pelas promessas não cumpridas. Pelo 'pra sempre' acabado. Eu agradeço por acabar com essa minha idéia ingênua de acreditar piamente nas pessoas. Porque foi assim que eu aprendi a acreditar mais em mim. Agradeço o "eu te amo", por mais que eu não acredite mais nele. Ou melhor, por mais que eu não acredite mais em você.

"Obrigada pelo seu tempo e já me vou antes que eu perca mais um segundo do meu".

terça-feira, 19 de outubro de 2010

faz parte de todo um ciclo.

Não tenho absolutamente nada contra qualquer coisa que soe a uma tentativa. Não tenho nada contra aquilo que venha a ser frustado, nada contra o amor nao correspondido. Acho que sou bastante forte para sair de todas as situações em que entrei, embora tenha sido suficientemente fraco para entrar. O tal fato é que se você entra, tenta ou ama, você vai se frustar nem que seja com a dor de perna depois de uma balada. O ser humano tem a alma tão grande, que se frusta com pouco, miserável. Vai dizer que não? Se você tem um namorado que gosta de você, você acaba por gostar de outro. Se você vai pra um show dos delírios, onde todo mundo sacode a mão e grita e berra e canta, você reclama que quase ficou surdo. Se sua mãe fala mil vezes pra não ir, não ir e não ir, você acaba indo, dá errado, e você se frusta porque ELA jogou praga na sua noite. Agora é serio? Será que num daria pra levar as coisas mais na esportiva não? Você gosta de se sentir com força o suficiente pra regassar um caminhão num murro, ou é porque é da sua pessoa, sentir raiva e criar motivos pra isso? Todos os dias o ciclo se repete, às vezes com mais rapidez, outras mais lentamente, às vezes uma surpresa onde você nao esperava ter. E eu me pergunto se viver não será essa espécie de ciranda de sentimentos que se sucedem e se sucedem e deixam sempre seder no fim, você ainda não aprendeu isso? Ou você faz, e assume as consequências, ou você não faz, e as assume também! se é que você me entende!@

sábado, 16 de outubro de 2010

eles devem de estar em casa. so pode@

Orkut, MSN, chats… me pergunto onde foi parar a única coisa que realmente importa e é de verdade nessa vida: a tal da química. Mas então onde Meu Deus? Onde vou encontrar gente interessante? O tempo está passando, meus ex já estão quase todos casados, minhas amigas já estão quase todas pensando no nome do bebê,… e eu? Até quando vou continuar achando todo mundo idiota demais pra mim e me sentindo a mais idiota de todos?
Foi então que eu descobri. Ele está exatamente no mesmo lugar que eu agora, pensando as mesmas coisas, com preguiça de ir nos mesmos lugares furados e ver gente boba, com a mesma dúvida entre arriscar mais uma vez e voltar pra casa vazio ou continuar embaixo do edredon lendo mais algumas páginas do seu mundo perfeito. A verdade é que as pessoas de verdade estão em casa. Não é triste pensar que quanto mais interessante uma pessoa é, menor a chance de você vê-la andando por aí?

terça-feira, 12 de outubro de 2010

cadê você?

Quando alguém não entende o meu amor, eu lembro daquele dia que você não queria tocar violão pra mim. Até que dedilhou reclamando que não era o seu violão. Daí tentou uma música conhecida. Tentou uma menos conhecida. Daí tocou uma sua, com a voz baixinha e olhando pro nada. E então me encarou e cantou com a voz alta. E então largou o violão, me encarou e cantou bem alto a sua dor, de pé, na minha frente, e eu achei que meu peito ia explodir. E ri achando que você ia sair correndo e dar um show na padoca da frente. E naquele momento eu pensei que poderíamos ser infinitos se fossemos música. E isso explica tudo, mas ninguém entende. Você entende. Mas cadê você?


Não adianta, não vou dormir mais. Mas vou fazer o que então? Minha cama me lembra você, minha cachorra me lembra você, beber água me lembra você, viver me lembra você.

segunda-feira, 11 de outubro de 2010

tiraram a plaquinha de aluga-se.

Resolvi morar sozinha e passei os últimos três meses procurando um apartamento para alugar. Gostei logo de cara de um no Itaim, rua tranquila, vista para várias árvores charmosas, todo pequenininho e aconchegante. Quando entrei nele senti algo especial, estranho, familiar, algo muito bom. Mas não, não se pode ficar com o primeiro que aparece, não é mesmo? O Itaim tem muito trânsito, prédios antigos dão problema na fiação e no encanamento, a garagem era pequena, enfim, continuei procurando. Depois daquele apartamento vi pelo menos mais uns 30, mas o dito cujo não saia da minha cabeça. A varandinha azul, as vaguinhas para visitantes ao lado, o porteiro velhinho que só sorria. Eu estava apaixonada. Mas não, o mundo tem tantas opções, não é mesmo? Não se pode ir ficando com o primeiro que aparece, ainda mais um primeiro com tantos defeitos: a cozinha era muito antiga, a porta do banheiro batia no bidê (pra que bidê?) e a proprietária não abria mão do carpete (eu sou alérgica). O tempo passou, prédios modernos, mais baratos, com vistas melhores e até mesmo com banheiros gigantes (eu amo banheiros) passaram, e eu nunca tirei o predinho da rua Jesuíno da cabeça. Eu me dizia o tempo todo “o que é do homem, o bicho não come” e seguia a vida tranquila sabendo que quando finalmente chegasse a hora de me decidir, ele estaria lá esperando por mim. Eu precisava experimentar o mundo, eu precisava conhecer outros cantos, cheiros e vistas, não, de maneira nenhuma eu poderia me deixar levar pelos sentimentos e assinar um contrato de fidelidade. Um dia eu estaria pronta para sair de casa e ser uma mulher, um dia eu estaria pronta para não ter mais que olhar pro lado pra poder olhar pra frente. Um dia eu poderia ser dele e então, ele seria meu. Ontem resolvi passar por lá, não para resolver nada e nem para levar minha mudança, apenas para continuar minha paquera medrosa e distante, saber se estava tudo bem com o meu amor e esquentar um pouquinho nosso relacionamento cheios de dúvidas. Quando fui chegando perto não pude acreditar: a placa de aluga-se não estava mais lá! Meu coração cheio de fúria não cabia dentro de mim, eu atravessei a rua correndo, apertei a campainha como um fantasma faminto inconformado com a morte mas impotente e invisível. Depois de muito tempo o porteiro berrou sem nem se dar ao trabalho de mostrar o rosto: já tem gente morando lá, foi alugado semana passada! Voltei para meu carro e chorei o choro mais profundo, antigo e verdadeiro que já chorei em toda a minha vida. Um choro daqueles contidos pela eternidade. Me recordei rapidamente de todas as pessoas e coisas que perdi por ainda não estar preparada para elas, ou por ainda ter muita curiosidade de mundo e dificuldade em ser permanente. Me lembrei de vários lugares que trabalhei e acabei saindo porque era muito nova para me enterrar numa mesa de escritório dez horas por dia, mas eram lugares com pessoas, chefes e trabalhos muito divertidos e inesquecíveis. Recordei de amigos e parentes distantes, aqueles que eu sempre deixo pra depois porque moram muito longe ou acabaram se tornando pessoas muito diferentes de mim, sempre penso “mês que vem faço contato com eles”. E se não tiver mês que vem? Finalmente chorei todos os meus amores que acabaram, todas as portas que eu deixei entreabertas (porque sou péssima em fechá-las) e que se fecharam pela vida: a maioria casou, juntou, sumiu, nem sei por onde anda. Alguém quis fazer desses amores perdidos moradias e eu mais uma vez fiquei sem minha placa de “aluga-se”. Enfim chorei o fim de tudo, assim é a vida, uma morte a cada dia. Depois, como sempre, limpei o rosto e continuei procurando pela minha casa. Estar sempre insatisfeito, na verdade, é o que faz a gente nunca desistir de seguir em frente e quem sabe um dia se encontrar nesse mundo.

quinta-feira, 7 de outubro de 2010

ah, a chuva e o frio..

se você tivesse telefonado hoje eu ia dizer tanta, mas tanta coisa. Talvez mesmo conseguisse dizer tudo aquilo que escondo desde o começo, um pouco por timidez, por vergonha, por falta de oportunidade, mas principalmente porque todos me dizem que sou demais precipitado, que coloco em palavras todo o meu processo mental (processo mental: é exatamente assim que eles dizem, e eu acho engraçado) e que isso assusta as pessoas, e que é preciso disfarçar, jogar, esconder, mentir. Eu não achei que ia conseguir dizer, quero dizer, dizer tudo aquilo que escondo desde a primeira vez que vi você, não me lembro quando, não me lembro onde. Hoje havia calma, entende? Eu acho que as coisas que ficam fora da gente, essas coisas como o tempo e o lugar, essas coisas influem muito no que a gente vai dizer, entende? Pois por fora, hoje, havia chuva e um pouco de frio: essa chuva e esse frio parecem que empurram a gente mais pra dentro da gente mesmo, então as pessoas ficam mais lentas, mais verdadeiras, mais bonitas. Hoje eu estava assim: mais lento, mais verdadeiro, mais bonito até. Hoje eu diria qualquer coisa se você telefonasse. Por dentro também eu estava preparado para dizer, um pouco porque eu não agüento mais ficar esperando toda hora você telefonar ou aparecer, e quando você telefona ou aparece com aquele sorriso só seu eu preciso me cuidar para não assustar você e quando você me pergunta como estou, olho sem que você perceba pra felicidade que você me traz e cuido meus olhos para não me traírem e não te assustarem e não ficarem querendo entrar demais dentro dos teus olhos, então eu cuido devagar tudo o que digo e todo movimento, porque eu quero que você venha outras vezes.

sábado, 2 de outubro de 2010

fui eu, a culpa está cmg.

Ele era feliz, cabelos pretos, olhos coloridos e um sorriso cativante. desde os 5 anos tinha o sonho pequeno de ser trabalhador publico pra ajudar as pessoas que ele via passar, tristes, sem nada. ela era linda, encantadora. a amei à primeira vista, como cena de cinema. cabelos negros, olhos escuros, reluzentes, covinhas, a simpatia em pessoa. mais eu acabei com tudo. era tarde da noite, estrada pouco movimentada, chuva grossa caindo e uma discussão em vista. discutíamos sobre não sei oqe, coisas que prefiro nao lembrar, e eu perdi o meu controle, e o controle do carro. capotamos várias vezes até parar no fim do barranco. eu nada sofrí, ou melhor, alguns arranhões no braço e no rosto, cicatrizes qe tenho ahr. mais isso não me fere tanto quanto às outras cicatrizes que ficaram. olhei para o lado e a vi desmaiada, eu nao sentia nada, nem mesmo a respiração dela ofegante. desvia meu olhar pra trás e ali vi, meu filho, estirado, sem ar, sem batimentos, sem vida. porque não eu? logo apareceu duas viaturas, eu implorava pela vida dela, pela dele eu não podia fazer mais nada, a não ser sentir culpa pelo resto da vida. enquanto ela era encaminhada para um pronto-socorro, tive a notícia, ela não tinha aguentado. naquele instante as quatro paredes do meu quarto e mais o teto tinha desmoronado em cima de mim. o peso era enorme, as feridas foram bruscas, a vontade maior era de voltar atrás, me dóia mt ver que em frações de segundos eu pus tudo a perder, perdí o brilho do olhar dela, não realizei os sonhos do meu filho, não vou poder ver mais as duas coisas mais lindas da minha vida. o meu carro hoje está dentro da minha sala. não tenho onde colocar a não ser ali. o reformo todo ano. e hoje com umas a mais na cabeça o qebrei por inteiro, olhando pro noticiário do jornal de alguns anos atras. eu o reformo todo o ano, mas mesmo assim não passa! :'( [texto 'inspirado' na fala de jackie chan em karate kid]

segunda-feira, 27 de setembro de 2010

minha alma clareava.

Eu me descubro ainda mais feliz a cada pedaço seu e de tudo o que é seu. Às vezes você é tão e bobo, e me faz sentir tão boba, que eu tenho pena de como o mundo era bobo antes da gente se conhecer. Eu queria assinar um contrato com Deus: se eu nunca mais olhar para homem nenhum no mundo, será que ele deixa você ficar comigo pra sempre? Eu descobri que vale a pena ficar três horas te olhando sentada num sofá mesmo que o dia esteja explodindo lá fora. E quando já não sei mais o que sentir por você, eu respiro fundo perto da sua nuca, e começo a querer coisas que eu nem sabia que existiam. Eu olhei para você com aquela sua jaqueta que te deixa com tanta cara de homem e me senti tão ao lado de um homem, que eu tive vontade de ser a melhor mulher do mundo.E eu tive vontade de fazer ginástica, ler, ouvir todas as músicas legais do mundo, aprender a cozinhar, arrumar seu quarto, escrever um livro, ser mãe. E aí eu só olhei pra bem longe, muito além daquele Sol, e todo o meu passado se pôs junto com ele. E eu senti a alma clarear enquanto o dia escurecia.

terça-feira, 21 de setembro de 2010

do outro lado da tarde

Sim, deve ter havido uma primeira vez, embora eu não lembre dela, assim como não lembro das outras vezes, também primeiras, logo depois dessa em que nos encontramos completamente despreparados para esse encontro. E digo despreparados porque sei que você não me esperava, da mesma forma como eu não esperava você. Certamente houve, porque tenho a vaga lembrança - e todas as lembranças são vagas, agora -, houve um tempo em que não nos conhecíamos, e esse tempo em que passávamos desconhecidos e insuspeitados um pelo outro, esse tempo sem você eu lembro. Depois, aquela primeira vez e logo após outras e mais outras, tudo nos conduzindo apenas para aquele momento. Às vezes me espanto e me pergunto como pudemos a tal ponto mergulhar naquilo que estava acontecendo, sem a menor tentativa de resistência. Não porque aquilo fosse terrível, ou porque nos marcasse profundamente ou nos dilacerasse - e talvez tenha sido terrível, sim, é possível, talvez tenha nos marcado profundamente ou nos dilacerado - a verdade é que ainda hesito em dar um nome àquilo que ficou, depois de tudo. Porque alguma coisa ficou. E foi essa coisa que me levou há pouco até a janela onde percebi que chovia e, difusamente, através das gotas de chuva, fiquei vendo uma roda-gigante. Absurdamente. Uma roda-gigante. Porque não se vive mais em lugares onde existam rodas-gigantes. Porque também as rodas-gigantes talvez nem existam mais. Mas foram essas duas coisas - a chuva e a roda-gigante -, foram essas duas coisas que de repente fizeram com que algum mecanismo se desarticulasse dentro de mim para que eu não conseguisse ultrapassar aquele momento. De repente, eu não consegui ir adiante. E precisava: sempre se precisa ir além de qualquer palavra ou de qualquer gesto. Mas de repente não havia depois: eu estava parado à beira da janela enquanto lembranças obscuras começavam a se desenrolar. Era dessas lembranças que eu queria te dizer. Tentei organizá-las, imaginando que construindo uma organização conseguisse, de certa forma, amenizar o que acontecia, e que eu não sabia se terminaria amargamente - tentei organizá-las para evitar o amargo, digamos assim. Então tentei dar uma ordem cronológica aos fatos: primeiro, quando e como nos conhecemos - logo a seguir, a maneira como esse conhecimento se desenrolou até chegar no ponto em que eu queria, e que era o fim, embora até hoje eu me pergunte se foi realmente um fim. Mas não consegui. Não era possível organizar aqueles fatos, assim como não era possível evitar por mais tempo uma onda que crescia, barrando todos os outros gestos e todos os outros pensamentos. Durante todo o tempo em que pensei, sabia apenas que você vinha todas as tardes, antes. Era tão natural você vir que eu nem sequer esperava ou construía pequenas surpresas para te receber. Não construía nada - sabia o tempo todo disso -, assim como sabia que você vinha completamente em branco para qualquer palavra que fosse dita ou qualquer ato que fosse feito. E muitas vezes, nada era dito ou feito, e nós não nos frustrávamos porque não esperávamos mesmo, realmente, nada. Disso eu sabia o tempo todo. E era sempre de tarde quando nos encontrávamos. Até aquela vez que fomos ao parque de diversões, e também disso eu lembro difusamente. O pensamento só começa a tornar-se claro quando subimos na roda-gigante: desde a infância que não andávamos de roda-gigante. Tanto tempo, suponho, que chegamos a comprar pipocas ou coisas assim. Éramos só nós depois na roda gigante. Você tinha medo: quando chegávamos lá em cima, você tinha um medo engraçado e subitamente agarrava meu braço como se eu não estivesse tão desamparado quanto você. Conversávamos pouco, ou não conversávamos nada - pelo menos antes disso nenhuma frase minha ou sua ficou: bastavam coisas assim como o seu medo ou o meu medo, o meu braço ou o seu braço. Coisas assim. Foi então que, bem lá em cima, a roda-gigante parou. Havia uma porção de luzes que de repente se apagaram - e a roda-gigante parou. Ouvimos lá de baixo uma voz dizer que as luzes tinham apagado. Esperamos. Acho que comemos pipocas enquanto esperamos. Mas de repente começou a chover: lembro que seu cabelo ficou todo molhado, e as gotas escorriam pelo seu rosto exatamente como se você chorasse. Você jogou fora as pipocas e ficamos lá em cima: o seu cabelo molhado, a chuva fina, as luzes apagadas.Não sei se chegamos a nos abraçar, mas sei que falamos. Não havia nada para fazer lá em cima, a não ser falar. E nós tínhamos tão pouca experiência disso que falamos e falamos durante muito e muito tempo, e entre inúmeras coisas sem importância você disse que me amava, ou eu disse que te amava - ou talvez os dois tivéssemos dito, da mesma forma como falamos da chuva e de outras coisas pequenas, bobas, insiginificantes. Porque nada modificaria os nossos roteiros. Talvez você tenha me chamado de fatalista, porque eu disse todas as coisas, assim como acredito que você tenha dito todas as coisas - ou pelo menos as que tínhamos no momento. Depois de não sei quanto tempo, as luzes se acenderam, a roda-gigante concluiu a volta e um homem abriu um portãozinho de ferro para que saíssemos. Lembro tão bem, e é tão fácil lembrar: a mão do homem abrindo o portãozinho de ferro para que nós saíssemos. Depois eu vi o seu cabelo molhado, e ao mesmo tempo você viu o meu cabelo molhado, e ao mesmo tempo ainda dissemos um para o outro que precisávamos ter muito cuidado com cabelos molhados, e pensamos vagamente em secá-los, mas continuava a chover. Estávamos tão molhados que era absurdo pensar em sairmos da chuva. Às vezes, penso se não cheguei a estender uma das mãos para afastar o cabelo molhado da sua testa, mas depois acho que não cheguei a fazer nenhum movimento, embora talvez tenha pensado.Não consigo ver mais que isso: essa é a lembrança. Além dela, nós conversamos durante muito tempo na chuva, até que ela parasse, e quando ela parou, você foi embora. Além disso, não consigo lembrar mais nada, embora tente desesperadamente acrescentar mais um detalhe, mas sei perfeitamente quando uma lembrança começa a deixar de ser uma lembrança para se tornar uma imaginação. Talvez se eu contasse a alguém acrescentasse ou valorizasse algum detalhe, assim como quem escreve uma história e procura ser interessante - seria bonito dizer, por exemplo, que eu sequei lentamente seus cabelos. Ou que as ruas e as árvores ficaram novas, lavadas depois da chuva. Mas não direi nada a ninguém. E quando penso, não consigo pensar construidamente, acho que ninguém consegue. Mas nada disso tem nenhuma importância, o que eu queria te dizer é que chegando na janela, há pouco, vi a chuva caindo e, atrás da chuva, difusamente, uma roda-gigante. E que então pensei numas tardes em que você sempre vinha, e numa tarde em especial, não sei quanto tempo faz, e que depois de pensar nessa tarde e nessa chuva e nessa roda-gigante, uma frase ficou rodando nítida e quase dura no meu pensamento. Qualquer coisa assim: depois daquela nossa conversa - depois daquela nossa conversa na chuva, você nunca mais me procurou.