terça-feira, 26 de outubro de 2010

que me desculpem..

Quando a gente cresce com uma pessoa, é criada com ela, cria laços tão afetivos e sinceros com ela, a gente tem dificuldade em deixá-la partir. É difícil entender que amizades de anos atrás não são mais as mesmas, que as pessoas mudam, que os sentimentos também. É difícil não saber mais nada, não conseguir completar uma conversa, não saber exatamente a maneira certa de se aproximar. É difícil estar lado a lado e ao mesmo tempo tão distante, tão longe. Estar perto, mas não estar dentro.
Quando a gente costumava se importar muito, fica difícil deixar de se importar tanto. Deixar de ligar tanto. Deixar para lá. A vida é simples. As pessoas vêm, aparecem, ficam, vão, e poucas permanecem. A gente sabe disso o tempo todo. Vem convivendo com isso o tempo todo. Mas é complicado. A gente é bem complicado. Por que caralho a gente não consegue entender que as coisas são finitas? Até amor é. Não vem com essa de que amor é eterno. Que dura a vida inteira. Alguns até duram. Amor de pai, de irmão, grandes amores que fazem 50 anos de casados. Mas alguns acabam. A gente não ama hoje todas as pessoas que amou há três anos atrás. O que não quer dizer que a gente não amou. A vida seria tão mais fácil se a gente aceitasse que nem todas as amizades são para sempre, nem todos os namoros de colegial viram casamento, nem todas as pessoas permanecem. Se chuva não alagasse, sol não desse insolação, neve não estragasse o dia. Se Mc Donalds não engordasse, todo dia fosse feriado, se toda semana se comparasse aquela que a gente queria de volta, os amigos do Orkut fossem amigos de verdade (...) Seria tão mais fácil se a gente pudesse não quebrar o coração. Os outros que me desculpem, mas não estou aqui vivendo uma vida só. Tenho 7 vidas. Algumas já passaram, outras ainda virão. Nas que passaram, amei algumas pessoas, outras não.

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